
Acho que é saudades, dos tempos de rapaz, das amizades sem interesse e do tempo em que acreditava que o mundo podia ser mudado.
Algumas coisas na vida da gente tem um significado especial, o meu amigo Fernando, por exemplo, é daqueles amigos que por mais que o tempo passe a está sempre pertinho da lembrança e do coração.
Em julho passado, por uma feliz coincidência de agendas, pudemos nos reencontrar após mais de 15 anos de ausência de um do outro.
Nos falamos algumas vezes via msn e deixamos meio pré-combinados de encontrarmos no Rio, em Búzios, creio que nenhum de nós dois estava acreditando muito nesse reencontro, mas como havia a intenção, esperamos.
Até que aconteceu, e como eram muitos os anos de ausência, no início tive uma sensação de estranhamento e admiração eu previsivelmente mais gordo e ele um pouco mais calvo, sinais do tempo que insiste em passar mesmo contra nossa vontade.
Um pouco depois, a confirmação da emoção do reencontro, afinal amigos de verdade podem perder a intimidade, aquela do contato e dos causos diários, mas a afinidade permanece intacta, inabalável.
E como era tanta coisa pra contar e tão pouco tempo disponível, ficamos com uma certa angustia mas que foi logo superada pelos chamados das respectivas famílias, filhos puxando de um lado, esposas de outro e nós ali olhando aquilo tudo meio sem entender nada. Afinal estavamos ali depois de tantos anos longe um do outro e isso bastava.
Que coisa boa foi reencontrar o Fernando, esse amigão de tantos anos.
E não é assim mesmo, amigos, filhos, família, todos sempre tão em volta que às vezes nem damos a importância que merecem.
Mas o melhor foi ter percebido que as melhores coisas da vida da gente não custam nada, estão aí e só requerem um pouco de disponibilidade e determinação.