


Segue e-mail do Clóvis Jr. amigo de longa data, pescador renomado, engenheiro mecânico e acima de tudo, pessoa de indiscutível caráter e responsabilidade.
Achei muito interessante o depoimento dele, pois vez por outra ouvimos o assunto da transposição do São Francisco de maneira superficial, além disso é a primeira vez que vejo imagens do local. Não há nenhum interesse meu ou do Clóvis em assumir qual o lado é mais importante, mas tão somente alertar que o assunto merece um pouco mais de divulgação e cuidado, o que faço nesse pequeno espaço. Pra ver as fotos em detalhe é só clicar nas mesmas.
"Caríssimos, Estive de férias e visitei a foz do rio São Francisco, que faz a divisa dos estados de Alagoas e Sergipe. Nas duas primeiras fotos vocês podem observar a grandiosidade deste rio, do lado esquerdo da foto é o estado de Alagoas, do lado direito Sergipe e ao fundo o mar. Na terceira foto está em detalhe um banco de areia formado na foz do rio. Este é o resultado claro da diminuição da vazão do rio São Francisco e da elevação do nível do mar. Toda a área de bancos de areia era leito do São Francisco, hoje o mar avança sobre o rio e traz parte desta areia, o restante é resultado do assoreamento do próprio rio devido à mineração, poluição e à destuição da mata ciliar. Segundo relatos de ribeirinhos que estão assustados com a velocidade com que o mar avança sobre o rio. Estive no mercado do peixe da cidade de Piaçabuçú, última cidade antes da foz, e lá não são encontradas mais espécies de água doce do rio São Francisco. Somente a 100 km antes da foz podem ser encontradas algumas das espécies conhecidas por nós mineiros. Eles me fizeram um apelo para que eu divulgue esta situação para que mais brasileiros se conscientizem da impossibilidade de transposição do São Francisco, o que diminiuiria ainda mais a sua vazão e aceleraria o seu fim...O correto seria revitalizar a mata ciliar, as nascentes, dragar o rio, despoluí-lo juntamente com seus afluentes, educar a população etc. Clovis Jr."
