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terça-feira, 28 de junho de 2011

Silvino Geremia




Abri um marcador, para as postagens que retratam as maluquices e falta de senso que transitam pelo nosso dia a dia. Chamei de pegadinhas brasileiras. Era prá ser um comentário ou outro sobre coisas absurdas e engraçadas... mas pelo visto são tantas, que em breve teremos uma ótima(péssima)coleção.

O texto abaixo, recebi de um amigo por e-mail, de tão absurdo, custo a acreditar que seja verdade. Mas como ainda estamos em processo de evolução social, não me espanto que de fato tenha ocorrido.

Ao procurar no site, encontrei a referência de data de 25/09/1996. http://exame.abril.com.br/revista-exame/edicoes/0619/noticias/sou-um-fora-da-lei-m0049688?page=2&slug_name=sou-um-fora-da-lei-m0049688

Mas nem por isso o texto deixa de ser atual.





" Silvino Geremia é empresário em São Leopoldo, Estado do Rio Grande do Sul.

Eis o seu desabafo, publicado na revista EXAME:

"Acabo de descobrir mais um desses absurdos que só servem para atrasar a vida das pessoas que tocam e fazem este país: investir em Educação é contra a lei .

Vocês não acreditam?

Minha empresa, a Geremia, tem 25 anos e fabrica equipamentos para extração de petróleo, um ramo que exige tecnologia de ponta e muita pesquisa.

Disputamos cada pedacinho do mercado com países fortes, como os Estados Unidos e o Canadá.

Só dá para ser competitivo se eu tiver pessoas qualificadas trabalhando comigo.

Com essa preocupação criei, em 1988, um programa que custeia a educação em todos os níveis para qualquer funcionário, seja ele um varredor ou um técnico.

Este ano, um fiscal do INSS visitou a nossa empresa e entendeu que Educação é Salário Indireto.

Exigiu o recolhimento da contribuição social sobre os valores que pagamos aos estabelecimentos de ensino freqüentados por nossos funcionários, acrescidos de juros de mora e multa pelo não recolhimento ao INSS.

Tenho que pagar 26 mil reais à Previdência por promover a educação dos meus funcionários?

Eu honestamente acho que não.

Por isso recorri à Justiça.

Não é pelo valor em si , é porque acho essa tributação um atentado.

Estou revoltado.

Vou continuar não recolhendo um centavo ao INSS, mesmo que eu seja multado 1000 vezes.

O Estado brasileiro está completamente falido.

Mais da metade das crianças que iniciam a 1ª série não conclui o ciclo básico.

A Constituição diz que educação é direito do cidadão e um dever do Estado.

E quem é o Estado?

Somos todos nós.

Se a União não tem recursos e eu tenho, acho que devo pagar a escola dos meus funcionários.

Tudo bem, não estou cobrando nada do Estado.

Mas também não aceito que o Estado me penalize por fazer o que ele não faz.

Se essa moda pega, empresas que proporcionam cada vez mais benefícios vão recuar..

Não temos mais tempo a perder.

As leis retrógradas, ultrapassadas e em total descompasso com a realidade devem ser revogadas.

A legislação e a mentalidade dos nossos homens públicos devem adequar-se aos novos tempos.

Por favor, deixem quem está fazendo alguma coisa trabalhar em paz.

E vão cobrar de quem desvia dinheiro, de quem sonega impostos, de quem rouba a Previdência, de quem contrata mão-de-obra fria, sem registro algum.

Eu Sou filho de família pobre, de pequenos agricultores, e não tive muito estudo.

Somente consequi completar o 1º grau aos 22 anos e, com dinheiro ganho no meu primeiro emprego, numa indústria de Bento Gonçalves, na serra gaúcha, paguei uma escola técnica de eletromecânica.

Cheguei a fazer vestibular e entrar na faculdade, mas nunca terminei o curso de Engenharia Mecânica por falta de tempo.

Eu precisava fazer minha empresa crescer.

Até hoje me emociono quando vejo alguém se formar.

Quis fazer com meus empregados o que gostaria que tivessem feito comigo.

A cada ano cresce o valor que invisto em educação porque muitos funcionários já estão chegando à Universidade.

O fiscal do INSS acredita que estou sujeito a ações judiciais.

Segundo ele, algum empregado que não receba os valores para educação poderá reclamar uma equiparação salarial com o colega que recebe..

Nunca, desde que existe o programa, um funcionário meu entrou na Justiça.

Todos sabem que estudar é uma opção daqueles que têm vontade de crescer...

E quem tem esse sonho pode realizá-lo porque a empresa oferece essa oportunidade.

O empregado pode estudar o que quiser, mesmo que seja Filosofia, que não teria qualquer aproveitamento prático na nossa Empresa Geremia.

No mínimo, ele trabalhará mais feliz.

Meu sonho de consumo sempre foi uma Mercedes-Benz.

Adiei sua realização várias vezes porque, como cidadão consciente do meu dever social, quis usar meu dinheiro para fazer alguma coisa pelos meus 280 empregados.

Com os valores que gastei no ano passado na educação deles, eu poderia ter comprado Duas Mercedes..

Teria mandado dinheiro para fora do País e não estaria me incomodando com essas leis absurdas .

Mas infelizmente não consigo fazer isso.

Eu sou um teimoso.

No momento em que o modelo de Estado que faz tudo está sendo questionado, cabe uma outra pergunta.

Quem vai fazer no seu lugar?

Até agora, tem sido a iniciativa privada.

Não conheço, felizmente, muitas empresas que tenham recebido o mesmo tratamento que a Geremia recebeu da Previdência por fazer o que é dever do Estado.

As que foram punidas preferiram se calar e, simplesmente, abandonar seus programas educacionais.

Com esse alerta temo desestimular os que ainda não pagam os estudos de seus funcionários.

Não é o meu objetivo.

Eu, pelo menos, continuarei ousando ser empresário, a despeito de eventuais crises, e não vou parar de investir no meu patrimônio mais precioso: as pessoas.

Eu sou mesmo teimoso!.... Não tem jeito..."

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Aumento da Gasolina é culpa da Entre-safra do Álcool ?




Mesmo que o assunto já tenha caído no esquecimento, e todo mundo já tenha aceitado os novos preços, fica aqui o registro de mais uma "possível" pegadinha brasileira.


Em todo o país, de março e maio de 2011 a gasolina deu um pulo de R$ 2,40 para R$ 3,20 ou +/- 33% de aumento.


Rapidamente a mídia trata o aumento com sensacionalismo, e divulga que a culpa é da entre-safra da produção de álcool.


Imediatamente o governo acalma a população confirmando os efeitos da entre-safra mas informando que em duas semanas o problema será resolvido, pois a normalização da produção de etanol, os preços recuarão.


No mesmo período o barril de petróleo aumenta mais de 50% no mercado internacional


Aqui, a Petrobrás segura as pontas, mantendo os preços congelados artificialmente desde o período eleitoral passado.


Mais cedo ou mais tarde a corda ia estourar.


Solução Criativa: Usar o oportunismo habitual:


a)Ou a gasolina aumenta por pressão de investidores para recompor preços em razão do aumento do barril de petróleo no mercado internacional e setores do governo;


ou,


b) A gasolina aumenta em razão da entre-safra do álcool?


Qual a alternativa é mais fácil de fazer o povo engolir?


E ainda, o aumento de preços tem um efeito colateral bem interessante: O preço mais alto empurra a arrecadação de impostos pra cima e ajuda no caixa do governo.


Ou seja, o aumento da gasolina resolve os dois problemas: ajusta as pressões e aumenta a arrecadação de impostos. 


A desculpa foi perfeita!





sexta-feira, 6 de maio de 2011

Brasil até quando seremos o país das pegadinhas - II Sacolinhas Plásticas a missão.



Devemos todos ser responsáveis ecologicamente.

A pegadinha da vez é que agora não vamos mais usar as sacolinhas plásticas e vamos salvar o planeta.

Vamos salvar o planeta, os donos de supermercado e os donos das fábricas de sacos de lixo.

Certamente são boas ações de marketing como essa,  que nos tornam seres humanos melhores e mais responsáveis.

Em BH, agora é lei: Supermercados, drogarias e padarias agora não dão mais sacolinhas a ninguém. (mas vendem).

Pergunta para os universitários: mas se pagar pode poluir? 

Claro que sim, pagando bem que mal tem?

Veja eram produzidas 15 bilhões de sacolas ao ano, e se cada uma delas for substituída por um saquinho que custe os mesmos R$ 0,19 que os supermercados estão cobrando, nossos bolsos estarão R$ 0,19 x 15.000.000.000 = R$ 2.850.000.000 (quase três bilhões) de reais
mais leves.

Para ter uma idéia da dimensão desse valor, o nosso PIB em 2010 foi cerca de R$ 3,7 trilhões então a economia será de quase 1% do PIB.

O curioso dessa história das sacolinhas plásticas é que ela pouco tem a ver com a racionalidade científica do seu uso ou descarte, dos seus benefícios ou malefícios para o meio ambiente ou para a sociedade e muito menos com os custos envolvidos.

Nada disso foi discutido com a sociedade, apenas foi imposta uma lei com uma justificativa "ecológica". 

O fato agora é que você vai ao supermercado e além de gastar mais comprando sacolinhas retornáveis, as Ecobags, vai gastar mais com sacos de lixo para embalar seu lixo doméstico.

O problema é que vai haver uma substituição das sacolinhas de supermercado que eram "grátis"(já estavam embutidas no preço), por  novos sacos de lixo igualmente prejudiciais ao meio ambiente.

Ou será que sua consciência ecológica vai fazer você a compostar o lixo dentro de casa? Vai criar minhoca, produzir humus? 

Ou vai comprar saquinhos de lixo para descartar o seu lixo doméstico? 

Os preços dos saquinhos de lixo já começaram a subir e acreditem já estão em falta em alguns supermercados. 

Que ótimo negócio: Os supermercados e comércio em geral economizam alguns bons tostões, algumas indústrias que tiveram visão de futuro faturam alto e você o ecologicamente correto paga a conta.

A iniciativa é defensável, tem argumentos favoráveis: menos emissões, menos lixo nos aterros etc e tal. Sou a favor de um consumo responsável, de reciclar materiais recicláveis, gosto da natureza e do desenvolvimento sustentável.

Mas acreditar num argumento furado que estamos fazendo o bem para o meio ambiente, enquanto na verdade nos empurram a compra de outro tanto de plástico (ecobags + sacolinhas de lixo), e nem se fala em alternativas biodegradáveis, fala sério ...

E vale lembrar, que como esperado a economia de R$ 2,8 bi dos supermercados já foi repassada integralmente para os consumidores, na forma de redução de preços. Não?, mas será, ou espere até ser reciclado.

PS: Um bom artigo sobre o assunto em: 

http://sacolinhasplasticas.blogspot.com/



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