Mostrando postagens com marcador Mundo Melhor. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Mundo Melhor. Mostrar todas as postagens
segunda-feira, 20 de agosto de 2012
Acomodação Sensorial x Acomodação Moral
Em tempos de mensalões, impunidade generalizada, torpezas de toda
ordem, pilantragens de toda categoria, só resta nos sentirmos impotentes,inertes ou amortecidos.
Será isso também fruto da chamada acomodação sensorial?
A acomodação sensorial é uma artimanha do nosso cérebro para não gastar energia desnecessariamente.
Assuntos e estímulos excessivamente repetitivos ou sem importância, são entendidos como desnecessários pelo cérebro naquele momento e então passam a ser ignorados.
Alguns exemplos diários:
Cheiros: - Percebemos com muita intensidade quando alguém com um perfume excessivamente forte entra na sala. Passados alguns instantes o cheiro parece desaparecer. Na verdade o cheiro continua lá, o que ocorre é que o cérebro se "acomoda" aquele estímulo e deixa de percebê-lo. Já se perguntou porque não percebe o seu próprio cheiro?
Visão: Jogo dos sete erros, ao prestar muita atenção na primeira vez que olhamos as figuras rapidamente encontramos os primeiros erros, entretanto passados alguns instantes, o cérebro acomodado, passa a ter de lutar para encontrar os últimos erros.
Som: Experimente entrar numa sala de educação infantil, crianças, brincando, falando alto numa balbúrdia sem fim, a professora, entretanto, parece não se incomodar com isso. Uma música lhe parece ruim na primeira vez que ouve, mas ao ouví-la uma segunda ou terceira vez ela nos parece muito melhor - acomodação sensorial de novo.
Calor/Frio: Pessoas que moram em países frios sentem menos frio e em países quentes menos calor?
É que a repetição de um determinado estímulo num feixe nervoso com o passar do tempo, acaba por inibir ou atenuar a capacidade inicial de gerar uma resposta sensorial mais efetiva, dessa forma a consequência é uma queda da qualidade da percepção como as exemplificadas acima.
O estranho é que esse fenômeno parece não afetar somente aos orgãos sensoriais, mas de certa forma, parece que também está afetando as questões comportamentais, sociais e éticas da nossa raça.
Pela repetição, o errado, o mau, o injusto vão amortecendo e anulando a nossa percepção.
Se não vejamos, como poderíamos nos conformar com a série de crimes absurdos, corrupção e outras mazelas que somos bombardeados diariamente nos noticiários. Porque não reagimos?
Já acostumados com isso ou serão esses os nossos (novos) valores?
Talvez os nossos circuitos de controle moral e ético, sobrecarregados pela repetição tenham se acomodado ao "status quo", e tudo passou a ser considerado normal ou sem solução.
Mas se há solução para o fenômeno biológico da acomodação sensorial, por exemplo, mudando a natureza ou intensidade do estímulo: o tipo de cheiro, o volume do som, a intensidade do frio, há que se encontrar também o meio de despertar nossa sociedade dessa acomodação moral.
Doses massivas de educação, menos impunidade, melhores exemplos de quem está no poder, sejam um ótimo começo, e, ao retroalimentarmos nossos circuitos morais, despertemos desse torpor que nos aflige.
Em tempo,estamos no decorrer do julgamento do Mensalão pelo STF, seria ótima oportunidade de mostrar que não estamos amortecidos como parece, faço votos e intenções que esse julgamento seja exemplar e nos ajude a despertar desse estado de letargia.
Uma boa recomendação para não se acomodar moral e sensorialmente é o ótimo podcast do Luciano Pires - Café Brasil - www.portalcafebrasil.com.br
terça-feira, 8 de fevereiro de 2011
Shampoo ecologicamente correto
Pois é, cismei de comprar um Shampoo no super, coisa trivial mas talvez por falta de ofertas na prateleira de cervejas, fiquei pensando numas coisas.
Tantas marcas, cores e funções num simples shampoo que até um MP3 poderia ficar com inveja; e os cheiros, tem prá todos os tamanhos de nariz. Os shampos são quase como um vinho e seus aromas de "frutas adamascadas" se é que me entendem.
O conteúdo em si é cuidadosamente fabricado: extratos de ervas naturais (alguém conhece uma erva que não seja natural?),sumos de frutas da época, café, sementes de uvas, e vitaminas de A a Z. Se tomados em goles generosos pela manhã os efeitos nutricionais devem ser muito bons.
Só não achei um shampoo de milho, aquele que deixa seu cabelo uma "palha".
E tudo é tão belamente embalado em frascos de plástico de excelente qualidade: polipropilenos, polietilenos alta e baixa densidades e o "escambau". Devem durar centenas de anos.
São frascos coloridos, opacos, transparentes, resistentes a tombos, rachaduras, perfurações e que combinam com sua toalha banho ou até quem sabe com a cueca. E ficam muito bonitos pendurados no box do banheiro ou na beirada da banheira.
As embalagens tem algum design hi-tec, funções anatômicas, tampas diferentes, lacres , corta-pingos, é muita tecnologia junta.
Mas fora o lado irônico, o fato é que não encontrei nenhuma embalagem simples, leve ou barata.
E nenhuma que fosse ecologicamente menos agressiva.
Depois de usadas vão ficar por aí, esperando a reciclagem ou entupindo o bueiro de alguém.
E nenhuma que fosse ecologicamente menos agressiva.
Depois de usadas vão ficar por aí, esperando a reciclagem ou entupindo o bueiro de alguém.
Mas e daí ? Daí é que eu fiz uma estimativa boboca:
Se dos quase 200 milhões de Brasileiros uns 20% usarem um frasco shampoo por mês, numa conta besta teremos: 200.000.000 x 20% x 12 Meses = 480.000.000 ou 480 Milhões de embalagens por ano ?!
Se uma embalagem de shampoo pesar uns 50g = 0,05 Kg... então anualmente se produz só de embalagens de shampoo : 480.000.000 x 0,05 kg = 24 milhões de kg por ano. E olha que isso é quilo pra caramba.
É claro que a conta acima não tem nem pretende ter o menor rigor científico, mas o "mito" até que é bem plausível, né não?
Então...não seria razoável a gente usar umas embalagens tipo "Refil", mais baratas, mais leves, mais fáceis de transportar e menos agressivas ao meio ambiente.
A tática poderia ser a mesma que alguns produtos de limpeza já descobriram (tipo aqueles sprays de limpar vidro).Você compra primeiro uma embalagem mais durável e depois vai comprando só o "refil" do líquido.
Claro que além dos efeitos positivos para o meio ambiente (a sua casa por exemplo), essa ação deveria aumentar os lucros dos fabricantes.
Afinal ao se usar menos material na embalagem ela custará menos. Além disso ficará mais leve, então caberá maior quantidade no caminhão de transporte, logicamente resultando também num custo menor por unidade transportada, menos viagens, menos emissões de CO2 etc e tal.
Menores preços para o consumidor, maior lucro para o empresário, maior valor de imposto(argh) arrecadado e benefício prô planeta.
Ou não?
Juro, que fiquei pensando em algum ponto negativo prá esse tipo de solução, mas até agora não me ocorreu nenhum. Ajuda aí vai...
quinta-feira, 22 de abril de 2010
A Natureza é Má?
Grandes mudanças geológicas em curso na terra.
Recentemente explodiu um vulcão na Islândia.
Prá variar, grande alarde na mídia. Os desastres naturais se sucedem e a mídia vai substituindo continuamente as manchetes como quem nem sabia a do dia anterior.
Haiti, Chile e China já se perderam no imediatismo da divulgação sensacionalista.
Nas entrelinhas um ar de conspiração, os bilhões em perdas econômicas, caos nos aeroportos da Europa, a economia em estado de atenção sempre. Fico com a impressão que gerar pânico nos desavisados faz parte do jogo.
São catástrofes nunca antes vistas ou imaginadas... Será?
Semana passada vi um programa sobre a Islândia.
A Islândia é uma ilha vulcânica, na qual ocorre há milênios, a maior atividade vulcânica do planeta.
A Ilha está situada exatamente em cima da grande dorsal do Atlântico, que vem a ser uma cordilheira submarina colossal que divide as placas continentais de norte a sul do Atlântico e por isso mesmo está sujeita a forte atividade vulcânica e sísmica.
A atividade lá é tão intensa que o país cresce, por conta do afastamento das placas e emergência de lava, a razão de 2,5 cm por ano! Pode parecer pouco, mas em termos geológicos é uma tremenda velocidade.
A primeira foto lá em cima não é atual não, foi tirada em 1980 do Vulcão Krafla por Halldor Ólafsson (hallo@hi.is).
O assunto é interessantíssimo: efeitos do homem sobre o meio-ambiente x cataclismas naturais.
Qual é o peso e a responsabilidade de cada um nesses eventos?
É preciso cautela para não acharmos que a Terra é má e quer punir o ser humano.
Uma coisa é o efeito da devastação e consumismo do ser humano, outra completamente diferente, são os efeitos geológicos naturais.
sábado, 17 de abril de 2010
Acústica
Se você pensa que acústico é apenas um tipo de albúm musical editado pela MTV, sinto muito, mas você se enganou. Saiba que a Acústica é muito mais que isso.
Acústica é o estudo dos sons, da sua criação passando pela sua propagação no espaço até chegar ao ouvido de quem escuta.
E o ouvido foi projetado para captar sons desde os muito tênues até os muito intensos, dos graves (baixos) até os muito agudos e altos.
Os sons mais intensos ou mesmo aqueles mais repetitivos podem nos machucar, causar dor, nos deixar desorientados e até encurtar a nossa vida útil auditiva.
A Acústica é uma ciência e embora não se dê a devida importância, ela, ou melhor, a falta dela, é a responsável também por grande parte do stress que carregamos na vida.
Se quiser uma definição mais completa, veja aqui na wikipédia !
O problema é que aqui na nossa terra tão carente de tudo, esse ramo de engenharia, quase sempre fica em segundo plano, raríssimas excessões são as salas de concerto e alguns cinemas, que mereceram esforço e cuidado no tratamento arquitetônico e acústico dos sons.
Fora desses espaços a maioria dos ambientes públicos ou privados são mal cuidados.
Nesse particular fico impressionado quando estou em ginásios usados quase exclusivamente prá shows e o som é sempre uma lástima, não entendo como é que se gastam milhões na construção de um lugar desses e nenhum tostão no projeto acústico.
É certo que as fontes sonoras se propagam pelo ambientes em muitas direções, mas estes sons podem ser tratados seja pela reflexão controlada para outras direções ou pela atenuação de sua intensidade (redução no "volume"). A Engenharia Acústica está aí justamente pra resolver esses problemas, sugerindo geometrias e materiais.
Assim como há portas corta-fogo, já temos janelas e portas corta-som. Carpetes, cortinas, sofás, móveis, peças de decoração e vasos de plantas, se escolhidos com cuidado ajudam em muito na atenuação de ruídos do ambiente.
Cuidados simples como reduzir o som da tv ou rádio, fechar a porta dá área de serviço quando a máquina de lavar está funcionando ou rever seus sistemas de alarme que disparam com qualquer movimento, certamente vão contribuir para uma vida menos estressada e como consequência mais feliz.
Pense, na próxima vez que ficar incomodado sem motivo, procure perceber se há focos de ruído por perto e se você pode fazer algo a respeito.
quinta-feira, 15 de outubro de 2009
Recicle suas Idéias
Hoje 15/10 é dia do consumo consciente, é um dia em que vários interessados no assunto escrevem sobre o aquecimento global (veja mais em www.blogactionday.org), se você gosta do assunto recomendo uma paradinha no blog:
Recicle suas Idéias:
http://sacolinhasplasticas.blogspot.com/2009/10/dia-do-consumo-consciente-e-sacolinhas.html
Que trata o assunto de maneira séria e informativa.
É certo que ainda sou meio tímido em relação ao tema, mas como já andei dando uns pitacos aqui no Anexo, repito os links para os textos, foram esses " Carrões" , "Garrafinhas PET" e "Aquecimento solar".
O que vale de fato é saber é que para reduzir o impacto na nossa querida nave mãe, precisamos urgentemente reduzir o consumo e o desperdício principalmente de água e de energia.
segunda-feira, 28 de setembro de 2009
Garrafas PET, copinhos plásticos para café e outros bichos
Minha amiga Ju, do JouJou Balangandas, me mandou um pps que achei muito interessante, falava das pessoas que passaram a consumir quase que exclusivamente água em garrafinhas plásticas.
Se por um lado as pessoas se sentem mais seguras em consumir água mineral em garrafas ao invés da tradicional água torneiral filtrada, por outro há malefícios que ficam ocultos e que são difíceis de se dar conta.
O principal deles é que o consumo de água em garrafinhas plásticas gera montanhas de lixo não biodegradável, e pensando nessa linha o que dizer dos milhares de copinhos plásticos descartáveis usados para beber água nas empresas...
Já parou e observou a quantidade de latinhas de refrigerante consumidas no restaurante na hora do almoço?
Sem querer ser um ecochato mas já sendo, há iniciativas muito simples que diminuem o impacto ambiental e de quebra podem trazer melhorias prá nossa saúde:
Algumas estou colocando em prática e deixo aqui como sugestão.
Durante o dia beba água em copos de vidro:
Lembre-se beber água é muito saudável e cada copo plástico economizado significa menor poluição, traga um copo de vidro de casa!
Tome café em xícaras e use colherinha de metal :
É muito mais prazeroso tomar café em xícaras de vidro e você não descarta o copinho de plástico na natureza.
Na hora do almoço prefira tomar um suco natural:
Os sucos já estão com preços bem competitivos e as vezes até mais baratos que os refris, eles geralmente vem em copos de vidro e de quebra ainda fazem bem a saúde.
Faça xixi no banho:
Se você não achar a iniciativa nojenta, no mínimo você vai economizar entre 7 e 15 litros de uma descarga convencional.
Impressoras no trabalho:
São verdadeiras máquinas de poluir, acostume-se a deixá-las desligadas e só ligue quando for usar. Lembre-se que mesmo em modo stand-by as maquininhas consomem uma fortuna em eletricidade.
Creia, se você mantiver a impressora desligada, vai ficar com preguiça de ligá-la e vai acabar economizando algumas folhas por dia.
Experimente, e se quiser deixe algumas sugestões por aqui.
quinta-feira, 21 de maio de 2009
Carrão... Você ainda vai ter um?

E agora então ficou tão mais fácil comprar um não é ?
Incrivel né, a gente sempre amou esses carrões tipo S.U.V., altos estilosos, 4 x 4 , quase um tanquinho de guerra!
Quem nunca sonhou em ter uma belezura dessas ?
Hora de aproveitar as ofertas! Redução de IPI, entrada pequena, 48 x pra pagar tudo de bom...
E está até difícil escolher, afinal são tantos os lançamentos e modelos dos chamados Sport Utility Vehicle que estão disponíveis no Brasil.
Mas alguém pode explicar o pôrque desse repentino interesse das montadoras em oferecer esse sonho de consumo para o mercado brazuca exatamente agora?
Será demais pensar que estão apenas desovando a produção desses maravilhosos beberrões de gasolina por aqui, justamente no momento que essa crise maluca atingiu em cheio a indústria internacional e pela primeira vez na história os gringos estão se preocupando com poluição, consumo de combustível etc etc.
Não, não deve ser isso não, isso deve ser apenas um eco da minha antiga mania de achar que ainda falta um bocado de educação e respeito por aqui.
sábado, 14 de junho de 2008
Aquecimento Solar e Chuveiros Elétricos
Energia solar pode sair caro?
“Apanho o sabonete Pego uma canção e vou cantando sorridente Duchas Corona, um banho de alegria num mundo de água quente”
Essa era uma das canções que mais colaram nos ouvidos da moçada dos anos 70... época em que ainda não se ouvia falar nem em aquecimento solar nem em aquecimento global.
“Apanho o sabonete Pego uma canção e vou cantando sorridente Duchas Corona, um banho de alegria num mundo de água quente”
Essa era uma das canções que mais colaram nos ouvidos da moçada dos anos 70... época em que ainda não se ouvia falar nem em aquecimento solar nem em aquecimento global.
Passadas algumas décadas nossa realidade é outra e mesmo que as previsões sombrias sobre o fim do petróleo não tenham se concretizado, vivemos numa crescente escassez de água e energia que obviamente vem se refletindo no crescente e exagerado aumento de preços que presenciamos a cada ano.
Para economizar energia, virou senso comum que qualquer forma de energia alternativa e de preferência não poluente são ecologicamente corretas e até indispensáveis.
E de fato, quando falamos em energia solar, o primeiro pensamento que nos ocorre, são os benefícios obtidos principalmente na economia de $$s.
Há outros, como por exemplo, redução de danos ao meio ambiente, pois o aproveitamento da energia solar substitui emissões de gases tóxicos na atmosfera na geração de energia elétrica.
Ainda não encontrei nenhum estudo comparativo na internet que quantificasse com precisão os custos de produção de água quente usando cada uma das alternativas existentes ou suas combinações, entretanto intuitivamente podemos pensar, a partir da nossa experiência pessoal sobre algumas questões que nos afetam diretamente.
A opção pela energia solar tem sido escolhida por ter um ótimo custo-beneficio, pois seus sistemas são relativamente simples, eficientes e de baixo custo tanto para a instalação como para sua manutenção, além de permitir a recuperação do investimento inicial em pouco tempo com a economia proporcionada nas contas de energia elétrica.
Diante da quase absoluta preferência pelos sistemas de aquecimento solar, pode soar polêmico se questionarmos a sua real eficiência, pois em geral as pessoas que conhecemos e que usam esse sistema geralmente nos transmitem ótimas impressões sobre a economia obtida além da alta eficiência em termos de aquecimento de água.
Ocorre no entanto que sistemas desse tipo devem ser bem projetados, calculados e instalados, sob pena de ao invés de trazerem economia, acabarem gerando efeitos adversos e custosos aos bolsos dos seus beneficiários.
E onde isso ocorre?
Em sistemas de médio e pequeno porte (casas), esse problema não é comum ou mesmo nem é percebido, pois o consumo de água quente por m2 instalado de aquecimento solar não é grande e mesmo que sua eficiência não seja das maiores, as quantidades de água quente obtidas são suficientes ao consumo do domicilio. Já em sistemas de grande porte (refeitórios, vestiários, clubes, hospitais), as instalações além de requerer maiores quantidades de água por m² instalado, requerem também maior confiabilidade e economia, assim geralmente encontraremos sistemas melhor projetados, com controles e sistemas auxiliares mais precisos e eficientes além de áreas de coleta de energia solar maiores.
O problema a que nos referimos está mais relacionado aos prédios, condomínios verticais e hotéis cujas áreas de terraço aproveitável são limitadas para instalação de placas coletoras aliada ao alto consumo de água quente.
Nos condomínios as queixas mais freqüentes são:
A água está morna ou fria em determinados horários ou épocas do ano;
O consumo de energia elétrica e água são exagerados;
É preciso deixar o chuveiro aberto por longos períodos até a água esquentar;
Quando a água chega fervendo é preciso abrir muito a torneira fria para compensar a água quente.
Porque isso acontece ?
Se perguntarmos as empresas ou instaladores desses sistemas sobre o porquê desses problemas, em geral teremos respostas que variam desde “o sistema de aquecimento não foi dimensionado corretamente à época de seu projeto” ou “a instalação está deficiente ou há poucos reservatórios de água quente” ou “ as placas de aquecimento já são antigas e não estão mais agüentando esse consumo por morador que aumentou muito ao longo dos últimos anos”.
Será que essas explicações são suficientes? Embora tenham até algum fundo de verdade, elas não explicam o problema de forma convincente, nem indicam se há uma luz no túnel.
Pela própria forma como foram concebidos, os sistemas de aquecimento solar, utilizam-se da troca de calor entre uma superfície (área) metálica que se aquece quando exposta ao sol e ao calor difuso dos dias de mormaço. A água ao circular por serpentinas unidas ou soldadas a essas placas retira dela seu calor aumentando sua temperatura.
Essa água aquecida é então recirculada entre os reservatórios de armazenamento e as placas até que atinja a temperatura desejada.Como os tanques são isolados termicamente do meio ambiente, a água pode se manter aquecida até a hora de ser consumida nos banhos, nas pias ou na lavagem de roupas.
O problema é que o sol é capaz de transmitir uma quantidade finita de energia por metro quadrado, então se precisarmos de mais água quente, precisaremos de maior área de coleta de energia, ou seja de mais placas coletoras de energia solar.
Assim fica mais fácil entender a diferença de eficiência entre o aquecimento solar de uma casa para 6 pessoas com um reservatório de 600 litros de água quente e o de um prédio com 10 andares e 60 pessoas, com um reservatório de 2 mil litros. (Note que se a proporção fosse mantida deveríamos ter reservatórios para 6 mil litros de água quente ).
Podemos imaginar grosseiramente que a área disponível no telhado da casa e no telhado do prédio serão muito parecidas, assim a quantidade de placas que caberiam no telhado da casa ou no telhado o prédio deverá ser aproximadamente a mesma.
Na casa haverá energia solar de sobra e portanto o reservatório de água quente consegue ficar cheio de água quente durante um dia de sol, o suprimento é guardado no reservatório térmico e poderá até agüentar o consumo durante eventuais faltas de sol.
Nos prédios, não se consegue obter água quente nem armazená-la em volume suficiente, pois há um consumo constante e mesmo quando eventualmente houver alguma folga nesse consumo, os reservatórios em geral não tem capacidade para armazenar essa sobra.
Mas será que ninguém leva isso em consideração ao projetar ou vender essas soluções?
Claro que sim. Diante dessas limitações de espaço a alternativa é instalar um sistema de aquecimento auxiliar, que servirá para elevar a temperatura da água, quando o fluxo de água das placas coletoras não for capaz de manter a água do reservatório na temperatura esperada.
Embora existam vários tipos e sistemas diferentes os sistemas auxiliares mais comuns são de dois tipos básicos: Resistências elétricas e aquecedores a gás.
As resistências elétricas são semelhantes às resistências dos chuveiros elétricos, porém elas são instaladas dentro dos reservatórios e são acionadas sempre que a temperatura da água estiver abaixo do desejado.
Os sistemas baseados em aquecedores a gás, usam o gás de petróleo que ao queimar produz o calor que é utilizado para aquecer a água antes de a mesma ser levada ao reservatório.
Como nem tudo é perfeito, o problema desses sistemas, é que devem aquecer enormes volumes de água dos reservatórios em pouco tempo, por isso demandam enormes quantidades de energia, elevando o consumo de energia auxiliar e conseqüentemente o custo final do sistema.
O paradoxo do custo-benefício do sistema de aquecimento solar estará então na eficiência dos seus sistemas auxiliares, pois eles devem suprir os reservatórios com água quente sempre que isso for necessário, compensando a indisponibilidade de sol e a limitação de área de captação nos telhados dos prédios.
Se compararmos a alternativa de aquecimento de água com chuveiros elétricos convencionais e os sistemas de aquecimento solar, poderemos chegar a conclusões estranhas, pois é possível que o custo de energia com o chuveiro elétrico por litro de água aquecida, será mais barato do que aqueles produzidos pelos sistemas auxiliares dos sistemas de aquecimento solar.
Os motivos para nossa conclusão são os seguintes:
a)A vazão dos chuveiros elétricos convencionais é menor, em geral são de 30% a 50% da vazão das duchas usadas nos banheiros dotados com aquecimento solar. Então como o volume de água a ser aquecida é menor o gasto com energia por litro consumido será proporcionalmente menor;
b) Como sentimos no nosso bolso, o custo da energia na nossa conta de luz, tendemos a ser mais zelosos com o tempo de uso dos nossos chuveiros, assim o tempo de banho e consequentemente consumo de água quente nos chuveiros elétricos tende a ser menor quando comparado aos sistemas de aquecimento solar.
c) Infelizmente ao contrário do que deveria acontecer, as conta de energia e água dos sistemas de aquecimento solar e auxiliar são divididas entre os condôminos segundo a área de cada unidade e não segundo o consumo real de água cada apartamento, há então uma certa “flexibilidade” no controle do tempo de cada banho, assim os banhos nos condomínios com aquecimento solar normalmente duram mais e gastam mais água aquecida.
d) Como os horários de consumo de água quente seguem a rotina de cada apartamento e morador, nem sempre temos água quente circulando pela tubulação do prédio, assim se a água ficar parada no cano a espera de ser consumida, irá perdendo sua temperatura para as paredes até esfriar completamente. Isso obriga ao morador a abrir a torneira e jogar fora dezenas de litros de água limpa e tratada até que a água morna ou quente chegue ao chuveiro. Apenas 3 minutos de espera são suficientes para jogar pelo ralo mais de 20 litros de água tratada.
e) O último, e pra mim o pior caso, ocorre quando há o esgotamento da água quente dos reservatórios durante a parte da tarde, pois como o consumo de banhos normalmente aumenta durante a noite, na chegada do trabalho, a maioria dos moradores acaba tomando banho frio ou morno.
Como não há sol no período noturno, os sistemas auxiliares passam a funcionar continuamente até que toda a água dos reservatórios esteja novamente na temperatura programada, isso vai acontecer apenas em plena madrugada, ou seja, durante o período que há pouco ou nenhum consumo e que a temperatura ambiente é a mais baixa do dia. Infelizmente, por melhor que seja o sistema de isolamento dos reservatórios, sempre há perda de calor para o ambiente, além disso os reservatórios chegam nas primeiras horas da manhã repletos de água aquecida, ou seja no horário que há farta disponibilidade de sol o sistema não consegue aproveitá-lo plenamente, desperdiçando assim a fonte mais barata de aquecimento (o sol) para a qual foi projetada.
O sistema que deveria economizar energia elétrica com o auxílio do sol, acaba fazendo um papel inverso, gastando mais e continuamente como se o sistema principal não existisse.
É claro que estamos levantando situações limites e que sistemas melhor dimensionados, reservatórios melhor isolados e mais eficientes conseguem atenuar significativamente esses efeitos.
O que posso fazer para melhorar essa situação?
Felizmente, já é possível contornar essa questão, com o uso de um terceiro sistema auxiliar de aquecimento, ainda menos comum, mas já disponível no mercado, são os chamados chuveiros e aquecedores inteligentes, capazes de “sentir” a temperatura de chegada da água e regular sua resistência de aquecimento para complementar apenas com energia suficiente para elevar a temperatura da água para o nível que determinarmos.
Caso a água chegue dos reservatórios ao sensor do chuveiro em temperatura adequada, ele simplesmente não irá acionar a resistência, evitando assim o desperdício de energia elétrica.
Naturalmente o uso dessa alternativa implica em desativar os sistemas auxiliares, pois do contrário, só haverá o aumento da conta do morador que optar por esse sistema.
Outra vantagem é que deixa de haver o desperdício da água quando ela chega fria ao chuveiro, (vide item “d” acima) e por outro lado causa no consumidor a mesma percepção de consumo que teria com o uso de um chuveiro elétrico, pois ele passa a perceber que mesmo com um sistema mais eficiente o aumento de tempo do seu banho será pago por ele próprio e não pelos seus vizinhos de condomínio.
Enfim, pensei em escrever sobre essas questões, pois é raro encontrarmos algo técnico em linguagem acessível e o objetivo principal é pensarmos um pouco sobre as “verdades e mitos” que nos rodeiam no dia a dia além de eventualmente auxiliar alguém a economizar alguns suados tostões.
Assinar:
Postagens (Atom)







