Vovó Lídia ou simplesmente Dona Lídia era assim uma dessas pessoas que a gente acha que vão existir pra sempre.
Daquelas que, faça chuva ou faça sol estariam sempre por ali, firmes e com um sorriso carinhoso e compreensivo no rosto, pronta pra dar um abraço ou contar uma coisa engraçada, rir ou fazer uma comidinha daquelas que só a vó da gente sabe fazer.
Vovó era uma pessoa essencialmente engraçada e dôce. Muitas vezes , nós, os netos, enchiamos sua paciência com brincadeiras tentando levá-la ao limite, sua resposta era sempre um sorriso e aquele ar de que não tava entendendo nada daquilo ali.
Vovó era linda.
Vovó sempre soube superar a dor, e foram várias, principalmente uma dor de coluna que carregou a vida toda. Nínguem soube ao certo a origem, mas segundo ela, era um "bico de papagaio" que ganhou em um dos seus inúmeros tombos e tropeçôes, mas é certo que nos últimos anos ela já não se quiexava mais das fortes dores de "coluna".
Vovó sabia tirar "quebranto" e chorava ao rezar alguém, era católica fervorosa e devota de Nossa Senhora de Aparecida, fazia promessas e cumpria.
Vovó, assim como toda a família, vivia de regime e sua maior e principal preocupação era saber se a gente estava com fome, sempre dizendo "tá tão magrinho esse menino" o Marcos era sua vítima preferida.
- Pera aí, não vai agora que eu vou fazer um bolinho de chuva pra você... - vou fritar uns pasteizinhos pra Walkiria a sempre querida "Quirinha".
Vovó tinha um chamego especial pra cada um. Ela queria bem a todos.
Não me lembro de vê-la gritando ou brigando conosco, não dava palmada ou colocava os pestinhas de castigo por mais que a gente aprontasse. Essa tarefa ela deixava pra mãe e pro pai.
Lutou muito pela vida nos seus 95 cinco anos de existência, acompanhou nossas vidas e nos velou o tempo todo.
Amou sua família como só ela sabia fazer.
As crianças cresceram e tomaram rumo pela vida a fora, agora chegou sua hora de partir.
E nós? nós ficaremos aqui achando sempre que a Vovó Lídia está logo ali existindo prá sempre, no apto da França Pinto, fazendo um pãozinho, na sua " cozinha de boneca" pra tomarmos com o café fresquinho passado no fim da tarde...
Beijos do neto
Evandro



