terça-feira, 6 de maio de 2008

Despedida

Vovó Lídia ou simplesmente Dona Lídia era assim uma dessas pessoas que a gente acha que vão existir pra sempre.

Daquelas que, faça chuva ou faça sol estariam sempre por ali, firmes e com um sorriso carinhoso e compreensivo no rosto, pronta pra dar um abraço ou contar uma coisa engraçada, rir ou fazer uma comidinha daquelas que só a vó da gente sabe fazer.

Vovó era uma pessoa essencialmente engraçada e dôce. Muitas vezes , nós, os netos, enchiamos sua paciência com brincadeiras tentando levá-la ao limite, sua resposta era sempre um sorriso e aquele ar de que não tava entendendo nada daquilo ali.

Vovó era linda.

Vovó sempre soube superar a dor, e foram várias, principalmente uma dor de coluna que carregou a vida toda. Nínguem soube ao certo a origem, mas segundo ela, era um "bico de papagaio" que ganhou em um dos seus inúmeros tombos e tropeçôes, mas é certo que nos últimos anos ela já não se quiexava mais das fortes dores de "coluna".

Vovó sabia tirar "quebranto" e chorava ao rezar alguém, era católica fervorosa e devota de Nossa Senhora de Aparecida, fazia promessas e cumpria.

Vovó, assim como toda a família, vivia de regime e sua maior e principal preocupação era saber se a gente estava com fome, sempre dizendo "tá tão magrinho esse menino" o Marcos era sua vítima preferida.

- Pera aí, não vai agora que eu vou fazer um bolinho de chuva pra você... - vou fritar uns pasteizinhos pra Walkiria a sempre querida "Quirinha".

Vovó tinha um chamego especial pra cada um. Ela queria bem a todos.

Não me lembro de vê-la gritando ou brigando conosco, não dava palmada ou colocava os pestinhas de castigo por mais que a gente aprontasse. Essa tarefa ela deixava pra mãe e pro pai.

Lutou muito pela vida nos seus 95 cinco anos de existência, acompanhou nossas vidas e nos velou o tempo todo.

Amou sua família como só ela sabia fazer.

As crianças cresceram e tomaram rumo pela vida a fora, agora chegou sua hora de partir.

E nós? nós ficaremos aqui achando sempre que a Vovó Lídia está logo ali existindo prá sempre, no apto da França Pinto, fazendo um pãozinho, na sua " cozinha de boneca" pra tomarmos com o café fresquinho passado no fim da tarde...

Beijos do neto

Evandro

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